quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Algumas Obras Machadianas: Resumo



1. Resumo das Obras

As obras machadianas são: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908); o conto: Contos Fluminenses (1970), Histórias da Meia-Noite (1873), Papéis Avulsos (1882), Várias História (1896), Páginas Recolhidas (1899), Relíquias de Casa Velha (1906), etc.; o teatro: Queda que as Mulheres têm pelos Tolos (1861), Desencantos (1861), Teatro (1863), Os Deus de Casaca (1866), Tu, só Tu, Puro Amor (1881); a crônica: A Semana (1914), etc.; a crítica: Crítica (1910).

1.1. Memória Póstuma de Brás Cubas

Escrita após sua morte por um narrador – personagem, Brás Cubas, esta memórias póstumas. Constituem um grandioso romance, de leitura difícil mais profundamente enriquecedora. O fato de Brás Cubas colocar-se como um “defunto autor”`, isto é, como alguém que conta sua vida de além-túmulo, dá-nos a impressão, de que este relato seria caracterizado pela isenção, pela imparcialidade de quem já não tem necessidade de mentir, pois deixou o mundo e todas as suas ilusões. Entretanto, esta é uma das famosas armadilhas machadianas contra a credulidade do leitor ingênuo e romântico da sua época.

No capítulo XI do romance - O menino é o pai do homem - Brás Cubas relata sua infância: “cresci naturalmente, como crescem as magnólias e os gatos”. No entanto, o próprio narrador-personagem nega tal naturalidade, numa das típicas ironias machadianas: “Talvez os gatos são menos matreiros e, com certeza,as magnólias são menos inquietas do que eu era na minha infância”.
De acordo com a malícia que sugere a respeito de si próprio, Brás Cubas foi um menino matreiro, merecedor do apelido de “menino-diabo” que lhe fora dado: maltratava os escravos, mentia, escondia os chapéus das visitas, colocava rabo de papel em pessoas graves, puxava cabelos, dava beliscões, enfim, possuía temperamento maligno, contando invariavelmente com a cumplicidade do pai, que o superprotegia, e com a fraqueza da mãe, sempre omissa em relação a ele.

Crescendo neste contexto familiar que o favorece e lhe justifica as traquinagens, transforma-se num adulto egocêntrico, mentiroso, cínico, entediado e petulante, atribuindo-se uma importância indevida, para assim disfarçar a sequência de fracassos a que, de fato, sua vida se reduziu.

Na juventude, envolve-se com Marcela, uma cortesã espanhola que o ama “durante quinze meses e onze contos de réis”. O pai, assustado com os gastos do filho, manda-o à Europa para estudos aos quais pouco se dedica. Ao retornar, almeja casar-se com Virgília, num negócio também arranjado pelo pai, que pretende torná-lo deputado.

Ambos os projetos falham: Brás Cubas perde a noiva e o cargo para Lobo Neves. Mais tarde, almejando ser ministro, o que consegue é o amor adúltero de Virgília e o cargo de deputado. Nha Loló (Eulália), outra possibilidade de casamento, agora arranjada pela irmã, que morre vitimada por uma epidemia. Quincas Borba, um colega de infância que se diz filósofo, visita-o rouba-lhe o relógio e desaparece, para retornar, tempos depois, enriquecido graças a uma herança. Devolve-lhe então o relógio, conta-lhe sobre o Humanitismo, teoria filosófica que inventa, e mais tarde enlouquece. Inventar um emplastro contra a hipocondria - a seu ver um remédio miraculoso que curaria os males da humanidade - constitui a última tentativa de Brás Cubas, o seu último projeto, sem sucesso como todos os outros. O que impede de realizá-lo é a morte, causada pela pneumonia que, ironicamente, contrai ao sair de casa, a fim de patentear o invento.

1.2. Dom Casmurro

Bentinho, chamado de Dom Casmurro por um rapaz de seu bairro, decide atar as duas pontas de sua vida. A partir daí, inicia a contar sua história (importante salientar esse detalhe! É Bentinho que nos narra sua vida). Morando em Matacavalos com sua mãe Dona. Glória, viúva, José Dias o agregado, Tio Cosme advogado e viúvo e prima Justina (viúva), Bentinho possuía uma vizinha que conviveu como “irmã-namorada” dele, Capitolina - a Capitu.

Seu projeto de vida era claro, sua mãe havia feito uma promessa, em que Bentinho iria para um seminário e tornar-se-ia um padre. Cumprindo a promessa Bentinho vai para o seminário, mas sempre desejando sair, pois se tornando padre não poderia casar com Capitu.

José Dias, que sempre foi contra ao namoro dos dois, é quem consegue retirar Bentinho do seminário, convencendo Dona Glória que o jovem deveria ir estudar no exterior, José Dias era fascinado por direito e pelos estudos no exterior.

Quando retorna do exterior, Bentinho consegue casar com Capitu e desde os tempos de seminário havia fundamentado amizade com Escobar que agora estava casado e sempre foi o amigo íntimo do casal.

Nasce o filho de Capitu, Ezequiel. Escobar, o amigo íntimo, falece e durante o seu velório Bentinho percebe que Capitu não chorava, mas aguçava um sentimento fortíssimo. A partir desse momento começa o drama de Bentinho. Ele percebe que o seu filho era a cara de Escobar e ele já havia encontrado, às vezes, Capitu e Escobar sozinhos em sua casa. Embora confiasse no amigo, que era casado e tinha até filha, o desespero de Bentinho é imenso. Vão para Europa e Bentinho depois de um tempo volta para o Brasil. Capitu escreve-lhe cartas, a essa altura, a mãe de Bentinho já havia morrido, assim como José Dias. Ezequiel um dia vem visitar o pai e conta da morte da mãe. Pouco tempo depois, Ezequiel também morre, mas a única coisa que não morre no romance é Bentinho e sua dúvida.

Análise num pequeno comentário: Os olhos oblíquos e dissimulados de Capitu demonstram as duas pontas da história da vida de Bentinho: seu primeiro beijo na amada ocorre mediante a percepção daqueles belíssimos olhos de ressaca e seu drama é, justamente, a percepção no velório dos mesmos olhos de Capitu. A infância coligada com Capitu também contribui para a afirmação de Bentinho, pois ela sempre esteve com o espírito de dissimulação que o deixava abisma donos momentos que ela conseguia enganar o próprio pai, o velho Pádua. Dom Casmurro é um livro complexo e cada leitura origina uma nova interpretação. Segundo Fábio Lucas, prefacionista de uma das edições de Dom Casmurro: É a triangulação ideal que traduz a certeza de uma consciência conturbada, a de Bentinho (cujo nome - Bento Santiago – Santo representa Bem e Iago no drama Othelo é a consciência perversa, ou seja, a fusão entra o bem e o mal), e resulta, para o destinatário de seu discurso mesclado de objetividade e de ressentimento (subjetivismo), numa ambiguidade insolúvel. Machado de Assis faz em Dom Casmurro um fato inacreditável em sua narrativa: Ele cria um narrador que afirma algo (ou seja, diz que foi traído) e o leitor não consegue decidir-se se ele está mentindo ou não. E aquela famosa pergunta que é a trilogia do romance, não só entre os brasileiros, mas também como os estudiosos do livro de outros países: Teria sido Capitu culpada de adultério?

1.3. Quincas Borba

Publicada entre 15 de junho de 1886 a 15 de setembro de 1891 na revista Estação, é a continuação da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Inicialmente o livro de Romance, que tem um foco narrativo em 3ª pessoa, tem como tema a loucura despertada, através de um processo que ativa fatores latentes.

Com isso, o autor joga com palavras que simulam oscilações da estrutura que o substância, transformando de repente a personagem de “professor em capitalista”.

A história gira em torno da vida de Pedro Rubião de Alvarenga, ex-professor primário, que se torna enfermeiro e discípulo do filósofo Quincas Borba, que falece no Rio, na casa de Brás Cubas. Com isso, Rubião é nomeado herdeiro universal do filósofo, sob a condição de cuidar de seu cachorro, de nome Quincas Borba também.

Rubião, então, parte para o Rio de Janeiro e, na viagem, conhece o capitalista Cristiano de Almeida e Palha e também Sofia que lhe dispensava olhares e delicadezas. Sofia era mulher de Crtistiano, mas Rubião se apaixonou por ela, tendo em vista o modo em que os dois entraram em sua vida. 

O amor era tão grande que Rubião foi obrigado a assumi-lo perante Sofia. Para o espanto, Sofia recusa seu amor, mesmo tendo lhe dado esperanças tempos atrás, e conta o fato para Cristiano.

Apesar de sua indignação, o capitalista continua suas relações com Rubião pois queria obter os restos da fortuna que ainda existia.

O amor de Sofia, não correspondido, aos poucos começa a despertar a loucura em Rubião. Essa loucura o levou à morte e foi comparada à mesma que causou o falecimento de Quincas Borba. Louco e explorado por várias pessoas, principalmente Palha e Sofia, Rubião morre na miséria e assim se exemplifica a tese do humanitismo.

O livro representa a filosofia inventada por Quincas Borba, de que a vida é um campo de batalha onde só os mais fortes sobrevivem e que fracos e ingênuos como Rubião são manipulados e aniquilados pelos superiores e espertos, como Palha e Sofia, que no fim da obra terminam vivos e ricos.

Princípio de Quincas Borba: “Nunca há morte. Há encontro de duas expansões, ou expansão de duas formas”.

Explicando de uma melhor maneira, criou a frase: “Ao vencedor, as batatas”, princípio esse que marcou e é o enfoque principal do enredo. “Supões-se em um capo de duas tribos famintas. As batatas apenas chegavam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrerão de inanição. A paz, neste caso, é a destruição; a guerra é a esperança. 

Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí, a alegria da vitória, os hinos, as aclamações. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se. Ao vencido, o ódio ou compaixão... Ao vencedor, as batatas!”

O narrador de Quincas Borba é, em certa medida, o próprio Machado de Assis. É importante observar que não se deve confundir o narrador com o escritor. 

Neste romance, porém, Machado de Assis assume a postura de escritor/narrador. A passagem a seguir, como outras da obra, quebra a objetividade do narrador em 3ª pessoa: “Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora, em Barbacena”.

Assim, as narrativas de Memórias Póstumas de Brás Cubas e de Quincas Borba tocam-se no início do capítulo IV, sendo uma espécie de continuação daquela. Mas a história de Quincas Borba é completamente outra.

Este romance mostra a caminhada de Rubião para a loucura. De modo que o verdadeiro elo entre os romances é apenas o Humanitismo, filosofia com a qual Quincas Borba marcou sensivelmente Brás Cubas, mas da qual apesar de seus esforços, nada conseguiu transmitir a Rubião.









Nenhum comentário:

Postar um comentário