domingo, 3 de maio de 2015

O Realismo Brasileiro



O que estava acontecendo no Brasil?

No Brasil do Segundo reinado (de 1840 a 1889), impera o conhecido  “parlamentarismo às avessas”, quando o Imperador D. Pedro II escolhe o senador ou o deputado para o cargo de primeiro-ministro, com a complacência do Partido Liberal e do Partido Conservador, que se revezavam no poder, sempre segundo os interesses da oligarquia agrária.
No campo da economia, o Brasil, na metade do século XIX, ainda mantinha uma estrutura baseada no latifúndio, na monocultura de exportação com  mão-de-obra escrava voltada para o mercado cafeeiro.
Por volta da década de 1870, no entanto, as oligarquias agrárias, que até então “davam as cartas” na economia e na política do país, sofrem pressões internacionais para o desenvolvimento do capitalismo industrial no Brasil, no sentido de um processo de modernização que se dá lentamente. Inicialmente, pela proibição do tráfico negreiro. Com isso cresce a mão-de-obra imigrante, desenvolve-se a indústria cafeeira no interior do estado de São Paulo e ferrovias são construídas. Ao longo dos trilhos, concentram-se as fábricas que dão origem à classe média urbana, que se insatisfaz com a falta de representatividade política.
Essa classe apóia-se no Exército e aceita a liderança dos cafeicultores paulistas, responsáveis pelos trabalhadores assalariados no país e defensores de mudanças estruturais, como a substituição da Monarquia, já desgastada e reacionária, pela República.
Proclamação se dá em 1889, porém, a República não atenderia as ambições da classe média e dos militares. Então, representantes das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais passam a controlar o Estado brasileiro, por meio de uma aliança entre seus governadores que ficou conhecida como “Política do café-com-leite.
O Brasil da época é um país com idéias liberais, republicanas, “modernas”, no entanto, tem que conviver com uma estrutura político-econômica oligárquica, agrária, latifundiária e coronelista.
Da Europa foram trazidas algumas idéias, entre elas o positivismo de Auguste Comte, o determinismo histórico de Taine, o socialismo utópico de Proudhon e o socialismo científico de Karl Marx, o evolucionismo de Darwin e a negação do Cristianismo de Renan.

 A Prosa Realista

O romance realista começa com o fim do romance romântico, opondo-se criticamente a ele, sendo, sem dúvida à crítica ao romantismo.
Enquanto o romance romântico gira em torno do casamento, ou seja, dos antecedentes que conduzem ao enlace burguês, já o romance realista focaliza a situação criada pelo casamento, não a feliz, suposta pelo romance romântico, onde tudo é belo e perfeito, mas sim o real. É na realidade que o romance realista encontra base, entretanto o adultério. Assim como acontece no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, onde o casamento não os tornou felizes para sempre, pois o suposto “adultério” de Capitu com Escobar havia quebrado o cristal do amor e fidelidade eterna. É claro que, também, pode-se achar adultério no romance romântico, mas é mais raro, além de se tratar de ser motivado por questões sentimentais.
O realismo se propõe em estudar cientificamente a infidelidade conjugal, mostrando a falsa paz da burguesia romântica. De tal forma, podemos dizer que o realismo arranca a máscara hipócrita do romantismo. Portanto, o realismo escolheu o casamento, por se tratar da coluna da sociedade burguesa.
Concluímos, com isso, que uma sociedade melhor haveria de surgir das cinzas da burguesia. Então, é claro que o realismo se caracteriza pela sondagem na psicologia humana, por meio de gestos e atitudes seguidos do que se passam dentro de cada personagem. Afirmando-se, com tudo, que os padrões realistas, naturalistas e impressionistas não desapareceram de todo após o surgimento dO Canaã, em 1902, na verdade, continuam até 1922, de mistura com elementos simbolistas, e permanecem, até certo ponto, na ficção nordestina dos anos 30, sendo, de tal forma, atualíssimo até os dias de hoje.


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