sexta-feira, 24 de julho de 2009

Realismo, Naturalismo, Simbolismo e Parnasianismo




O que estava acontecendo na Europa

Antes de falarmos do realismo, voltemos um pouco ainda no romantismo. Como sabemos, o romantismo encontrava na cultura francesa condições favoráveis de enraizamento e propagação, mas suas breves conquistas não alçaram de todo vencer os remanescentes clássicos, nem mesmo os movimentos de idéias gerados mediante a Revolução Francesa.
O romantismo extremou-se no culto do sentimento e da Natureza: isso se dá por volta de 1820.
O Realismo surgiu em meados do século XIX, primeiramente com a pintura, na França. Foi em mãos de Vitor Hugo, Gaultier, Musset, assim como na escrita também. Gustave Coubert, entre 1850 e 1851, expôs no salão: O Enterro em Ornans, e em 1853
, As Banhistas, que causaram estranhamento e recusa, por serem telas escandalosas. Revoltado, abre sua própria exposição. Posteriormente, numa conferência em Arvers (1861), o pintor acrescentaria: “o núcleo do Realismo é a negação do ideal. O Enterro em Ornans foi o enterro do Romantismo”.

Em 1848, Henri Murger publicou em folhetins as Cenas da Vida Boêmia, onde focalizou os costumes da burguesia.
O Realismo veio com força, na França, em 1857 com o romance: Madame Bovary, de Flaubert, e As Flores do Mal, de Baudelaine, com crítica à hipocrisia burguesa.
Dez anos depois, Zola introduzia o romance naturalista com Thérèse Raquin.
A revolução, fevereiro de 1848, na França, surgiu Karl Marx com O Manifesto Comunista, a uma longa obra de análise da Burguesia e do Capitalismo, de impacto ainda vivo
. Renan escreve O Futuro da Ciência (inédito até 1890).
Surge Taine, onde se tornou “o verdadeiro filósofo do Realismo, seu teórico; foi ele que deu a fórmula do positivismo em matéria literária”.
Darwin (1859), com A Origem das Espécies, propondo a seleção natural como fator decisivo na evolução das espécies. A Introdução ao Estudo da Medicina Experimental (1865), de Claude Bernard, defendendo o método experimental em Fisiologia, que serviria de base às teorias de Zola. As idéias do alemão Schopenhauer, fundadas num pessimismo extremo: O Mundo como Vontade e Representação, 1818; Da Vontade na Natureza, 1836.
O Realismo vem acionado pelos ventos do positivismo, juntamente com a Revolução Industrial, mudando, completamente, o estilo de vida e de cultura. Ao invés do subjetivismo, propunham a objetividade, amparada na idéia positiva do real; em lugar da imaginação, a realidade contingente. Enquanto, no romantismo, o “eu” era o centro, os realistas já defendiam o “não-eu”, a realidade física e o mundo concreto.
Assim com pedia o cientificismo da época, os racionalistas procuravam a verdade impessoal e universal, não a individual, como julgavam os românticos.
Buscam, enfim, comportar-se perante a arte como autênticos cientistas.
No plano político, defendiam idéias republicanas e, não raro, socialistas; repudiavam a Monarquia, o Clero e a Burguesia.
Assim, com Taine, o homem deixava o “eu” ser o centro do Universo, como pedia o Romantismo, para se transformar numa engrenagem do mecanismo cósmico e natural.

O que estava acontecendo no Brasil




Antes de falarmos no próprio estilo literário realista, voltemos atrás no ano de 1860, final de romantismo. Os anos de 60 tinham sido fecundos como preparação de uma ruptura com o regime escravocrata e as instituições políticas que o sustentavam. E o sumo dessas críticas já se encontra nas páginas de um espírito realista e democrático.
Machado de Assis amava o Rio de Janeiro, e costumava correr pelas ruas da cidade onde nasceu, escreveu, amou e morreu. Algo que ele disse: “Eu sou um peco fruto da capital, onde nasci, vivo e creio que hei de morrer, não indo ao interior senão por acaso e de relâmpago...”
Este Rio de Janeiro que conhecemos atualmente é bem diferente do que realmente era na época de Machado, época esta ainda do Império. Possuía iluminação a gás, mas apenas no centro. A cidade era malcheirosa, com águas estagnadas por todo lado. Havia um transporte muito precário para uma população estimada em 300 mil habitantes, metade escravos.
Quanto a arquitetura, as chácaras dos ricos contrastavam com as casa humildes dos mais pobres. Machado, ainda menino, chegou a freqüentar a Chácara do Livramento, sob a proteção da madrinha, senhora muito rica, dona da propriedade.
Em meados do século XIX, o mapa socioeconômico brasileiro começa a sofrer algumas modificações. Havia no país uma população média de 7 milhões de habitantes. Pouca gente para muito país.
Os cafeicultores mandavam nas terras do Sul, no nordeste eram os criadores de gados e os donos dos canaviais. Estes mandavam em tudo, nas terras, nos escravos, no dinheiro e na política.
Daí começou a se formar uma burguesia dedicada ao comércio, ao lado desta restrita classe dominante. Esta burguesia logo começou a querer interferir nos destinos da nação.
O Brasil era o único país ocidental que, ainda, admitia o trabalho escravo –1880. Mas desde quando Machado era criança, em 1850, que já se havia concretizado o primeiro passo da luta abolicionista, com a extinção do tráfico de negros, algo que realmente não fora extinto até então.
A produção de cana-de-açúcar começou a decair e o florescimento da lavoura de café no sul, fez com que os senhores de engenho vendesses escravos para eles, intensificando o tráfico interno de negros.
Há muito tempo muitos criticavam a postura de Machado perante o problema da escravatura, por ele, então, ser neto de negros. Percebemos hoje que isso não é realmente verdadeiro, pois Machado se preocupava sim, mas seu modo de demonstrar era diferente dos demais. Ele preferiu usar nas análises e nas reflexões. Em sua obra (crônica, contos, romance) procurou desvendar os mecanismos econômicos e ideológicos que tentavam justificar, antes de tudo, a necessidade de precisar do trabalho escravo.
A formação de um partido liberal radical, em 1868, foi precedida de declarações de princípios abolicionistas e pré-republicanos; e, de fato, já em 1870, uma ala dos progressistas fundava o Partido Republicano, que operaria a fusão da inteligência nova com o arrojo de alguns políticos de São Paulo, interessados na substituição do escravo pelo trabalho livre. Às idéias respondiam os fatos: em 1970, entram no país quase 200 mil imigrantes; em 1980, quase meio milhão.
O tema da abolição e, em segundo tempo, o da República serão o fulcro das opções ideológicas do homem culto brasileiro, a partir de 1870. Raras vezes essas lutas estiveram dissociadas: a posição abolicionista, mas fiel aos moldes ingleses da monarquia constitucional, encontrou um seguidor no último grande romântico liberal do século XIX.
Mas a norma foi à expansão de uma ideologia que tomava aos evolucionistas as idéias gerais para demolir a tradição escolástica e o ecletismo de fundo romântico ainda vigente, e pedia à França ou aos Estados Unidos modelos de um regime democrático.
As influências do positivismo chegam ao Rio de Janeiro, onde Seguidores de Comte, reúnem-se. O positivismo, na sua forma ortodoxa ou não, estará presente, inspirando ou determinando posições, ora de indiferença perante a atividade política, ora de intervenção direta nos acontecimentos.
Em 1883, num clima repleto de presságios, estoura a “Questão Militar”, espécie de resposta à “Questão Religiosa”, que deflagrara na década anterior. Por fim, o Senado, compreendendo que a crise se tornaria insustentável, apela ao Imperador, e as restrições foram suspensas em maio de 1887, dando por encerrada a “Questão Militar”.
Enquanto isso, a abolição a escravatura ganha força. Em 1885, a Lei Saraiva-Cotegipe punha em liberdade os escravos sexagenários. A Lei Áurea é assinada pela Princesa Isabel.
As idéias republicanas vinham ganhando forças em 1870, quando são lançadas as bases do Partido Republicano.
Alguns fatores foram cruciais para o fim da Monarquia: a abolição e a Guerra do Paraguai. Em 15 de novembro de 1889 chaga ao fim à Monarquia de D. Pedro II. É, enfim, proclamada a República e assumindo o poder o Marechal Deodoro da Fonseca.
Começa, assim, em 1891 a imigração estrangeira de trabalhadores europeus, principalmente de italianos. Graças à corrente imigratória, o café tem um surto de prosperidade, sobretudo em São Paulo.
Por outro, a Nação presenciava a corrida à Bolsa, a desenfreada especulação, a descontrolada emissão da moeda, a ganância pelo lucro fácil e fictício. Assim com Taunay fixaria em um de seus romances (1890 – 1892).
Surge a Revolução Federalista, em fevereiro de 1893, no Rio Grande do Sul, pelos partidários do governo federal, insatisfeitos com a ditadura de Júlio de Castilhos; e a Revolta da Armada, ocorrida em 6 de setembro do mesmo ano, em repúdio à intenção que o Marechal Floriano, sucessor de Deodoro, manifestara de permanecer no governo até o fim do mandato que vinha preencher.A abolição foi declarada em 1888, ano ao qual Silvio Romero publicou: Histórias da Literatura Brasileira.
Em 1894, sucedendo ao Marechal Floriano, se tornaria o 1° presidente civil Prudente de Morais. Seu governo foi marcado pela instabilidade política e pela Campanha de Canudos (1896), desencadeada contra os jagunços reunidos no arraial de Canudos, no sertão baiano, para realizar as promessas místicas de seu líder, Antônio Vicente Mendes Mariel, ou Antônio Conselheiro. Suspeitando que pretendessem atentar contra a República, o governo estadual e federal organizou várias expedições contra os seguidores de Conselheiro, até dizimá-los completamente a 5 de outubro de 1897. Euclides da Cunha, que presenciou a luta, relataria em seu livro: Os Sertões (1902), uma das obras fundamentais de nossa cultura.
O Realismo brasileiro surge com as publicações: O Mulato, de Aluízio de Azevedo, e, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, ambos em 1881. Em 1902, com o surgimento de Canaã, de Graça Aranha, e, Os Sertões, de Euclides da Cunha, pode-se considerar encerrada a época realista.
A ponte literária entre o último Romantismo e a “cosmovisão” realista será lançada, como ao seu tempo se verá, pela “poesia científica” e a literária. O plano da invenção ficcional e poética, o primeiro reflexo sensível é a descida de tom no modo de o escritor relacionar-se com a matéria de sua obra.
O Realismo se tingirá de naturalismo, no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeteram-se ao destino cego das “leis naturais” que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano, na poesia à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito.
Nas últimas décadas do século XIX, a produção literária alcança sua maturidade; “tal se compreende ao cenário histórico, político, sociais e econômicos”. É, então, que enfim a Literatura Brasileira inicia sua caminhada para alcançar sua plena identidade, com um nível de literatura autônoma e madura.
A Prosa Realista


O romance realista começa com o fim do romance romântico, opondo-se criticamente a ele, sendo, sem dúvida à crítica ao romantismo.
Enquanto o romance romântico gira em torno do casamento, ou seja, dos antecedentes que conduzem ao enlace burguês, já o romance realista focaliza a situação criada pelo casamento, não a feliz, suposta pelo romance romântico, onde tudo é belo e perfeito, mas sim o real. É na realidade que o romance realista encontra base, entretanto o adultério. Assim como acontece no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, onde o casamento não os tornou felizes para sempre, pois o suposto “adultério” de Capitu com Escobar havia quebrado o cristal do amor e fidelidade eterna. É claro que, também, pode-se achar adultério no romance romântico, mas é mais raro, além de se tratar de ser motivado por questões sentimentais.
O realismo se propõe em estudar cientificamente a infidelidade conjugal, mostrando a falsa paz da burguesia romântica. De tal forma, podemos dizer que o realismo arranca a máscara hipócrita do romantismo. Portanto, o realismo escolheu o casamento, por se tratar da coluna da sociedade burguesa.
Por conseguinte, uma sociedade melhor haveria de surgir das cinzas da burguesia. Então, é claro que o realismo se caracteriza pela sondagem na psicologia humana, por meio de gestos e atitudes seguidos do que se passam dentro de cada personagem. Afirmando-se, com tudo, que os padrões realistas, naturalistas e impressionistas não desapareceram de todo após o surgimento dO Canaã, em 1902, na verdade, continuam até 1922, de mistura com elementos simbolistas, e permanecem, até certo ponto, na ficção nordestina dos anos 30, sendo, de tal forma, atualíssimo até os dias de hoje.
Realismo – Naturalismo

- Segunda Revolução Industrial (eletricidade; siderurgia)
Burguesia x Proletário (protestos, etc.)
Em prol do proletário:
- Socialismo Utópico, liberdade do proletário;
- Destruição das formas de poder, anarquismo;
- Marxismo, sociedade igualitária
Burguesia cria idéias que se contrapõe e dominam:
- Darwinismo: evolucionismo; o comportamento humano é regido pelas normas que regem os animais. -Zoomorfismo: ser humano = animal
- Determinismo: o social meio, a raça e o momento determinam o comportamento humano.
- Positivismo: conhecimento válido é aquele comprovado pelo meio científico. Ploretariado começa a emergir e burguesia reprime, implantando novas idéias e acreditando na Evolução Mecânica = o ser humano interfere no processo.
Realismo
-Introspecção Psicológica: vê o ser humano "por dentro"
-Universalização: temas universais (ocorre em qualquer hora e em qualquer lugar)
-Objetivismo: vê o mundo como ele é.
-Observação e análise: fatos presentes
-Contemporaneidade: exatidão para localizar o tempo e espaço
-Descritivismo:dá veracidade à obra.
-Mulher idealizada (mas não submissa): manipulada e dissimulada. Homem: inseguro
-Casamento arranjado
-Reformismo Crítico: criticar para reformar; mostra as realidades.
-Ironia: em relação ao comportamento humano.
-Realismo - criado para combater o Romantismo - disseca a sociedade (mostra problemas em todas as classes);

Observação e análise psicológica:
-Personagens esféricas
-Descrições psicológicas
-Pessimismo psicológico
-Pessimismo filosófico
-Sutileza

Comparação:

Romantismo
ênfase na fantasia
predomínio da emoção
proximidade emocional entre o autor e temas
subjetivismo
escapismo (a literatura como forma de fugir da realidade)
idealização das personagens
linguagem predominantemente expressiva
nacionalismo


Realismo
ênfase na realidade
predomínio da razão
distanciamento racional entre o autor e seus temas
objetivismo
engajamento (a literatura como forma de transformar a realidade)
retrato fiel das personagens
linguagem predominantemente objetiva
universalismo
O Brasil na 2ª metade do século XIX
Datas importantes:
1840-1889: vigência do Segundo Reinado (D. Pedro II)
1850: Extinção do tráfico negreiro
Meados de 1870: Ampliação do comércio exterior e da imigração européia; aumento da exportação do café e início da industrialização.
1889: Proclamação da República.-
Cronologia do Realismo no Brasil
Naturalismo e Parnasiano no Brasil
Período: século XIX
Início: 1881 - Publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (Realismo) e de O mulato, de Aluísio de Azevedo (Naturalismo); em 1882 publicação de Fanfarras, de Teófilo Dias (Parnasianismo).

Comparação:

Realismo

* a investigação da sociedade e dos caracteres individuais é feita de "dentro para fora", isto é, por meio de uma análise psicológica capaz de abranger toda a sua complexidade, utilizando entre outros recursos a ironia, que sugere e aponta, em vez de afirmar;
* ênfase nas relações entre os homens e a sociedade burguesa, atacando suas instituições e seus fundamentos ideológicos: o casamento, o clero, a escravidão do homem ao trabalho como meio de "vencer na vida"; as contradições entre ricos e pobres, vistas da ótica dos "vencidos"(os marginais, os operários, as prostitutas) e não dos "vencedores".
* o tratamento imparcial e objetivo dos temas garante ao leitor um espaço de interpretação, de elaboração de suas próprias conclusões a respeito das obras.


Naturalismo

* a investigação da sociedade e dos caracteres individuais ocorre "de fora para dentro"; as personagens tendem a se simplificar, pois são vistas como joguetes, títeres dos fatores biológicos e sociais que determinam suas ações, pensamentos e sentimentos;
* ênfase na descrição das coletividades, dos tipos humanos que encarnam os vícios, as taras, as patologias e anormalidades reveladoras do parentesco entre o homem e o animal, no homem descendo à condição animalesca em sua situação de mero produto das circunstâncias externas, como a hereditariedade e o maio ambiente;
* o tratamento dos temas a partir de uma visão determinista conduz e direciona as conclusões do leitor e empobrece literalmente os textos.

Simbolismo português (1890-1915 )

O Simbolismo é originário da França e se iniciou com a publicação de As Flores do Mal, de Baudelaire, em 1857. Nome inicial: Decadentismo.
Bases Filosóficas
Kiekegaard – o homem passa por três estágios em sua existência – estético (presença do novo), ético (gravidade e responsabilidade da vida) e religioso (relação com Deus). Bergson – não é a inteligência que chega a compreender a vida. É a intuição.
Em Portugal, o Simbolismo tem início em 1890, com o livro de poemas de Eugênio de Castro, Oaristos, e com revistas acadêmicas, Os Insubmissos e Boêmia Nova, cujos colaboradores eram Eugênio de Castro e Antônio Nobre.

Características

Os autores voltam-se à realidade subjetiva, às manifestações metafísicas e espirituais, abandonadas desde o Romantismo. Buscavam a essência do ser humano, a alma; a oposição entre matéria e espírito, a purificação do espírito, a valorização do inconsciente e do subconsciente.
Musicalidade: música, a mais importante de todas as artes. “A música antes de tudo.” Aliterações, assonâncias, onomatopéias, sinestesias
Linguagem vaga, imprecisa, sugestiva: não mostrava as coisas, apenas as sugeria.
Negação do materialismo: reação ao materialismo e ao cientificismo realistas. Retorno à mentalidade mística: comunhão com o cosmo, astros. Esoterismo.
Maiúsculas alegorizantes: personificação.
Mergulho no eu profundo: nefelibatas – habitantes das nuvens.

Características da linguagem simbolista

1. As características da linguagem simbolista podem ser assim esquematizadas:
2. Linguagem vaga, fluida, que prefere sugerir a nomear.
3. Utilização de substantivos abstratos, efêmeros, vagos e imprecisos;
4. Presença abundante de metáforas, comparações, aliterações, assonâncias, paronomásias, sinestesias;
5. Subjetivismo e teorias que voltam-se ao mundo interior;
6. Antimaterialismo, anti-racionalismo em oposição ao positivismo;
7. Misticismo, religiosidade, valorização do espiritual para se chegar à paz interior;
8. Pessimismo, dor de existir;
9. Desejo de transcendência, de integração cósmica, deixando a matéria e libertando o espírito;
10. Interesse pelo noturno, pelo mistério e pela morte, assim como momentos de transição como o amanhecer e o crepúsculo; Interesse pela exploração das zonas desconhecidas da mente humana (o inconsciente e o subconsciente) e pela loucura.

Observação: Na concepção simbolista o louco era um ser completamente livre por não obedecer às regras. Teoricamente o poeta simbolista é o ser feliz.

Resumo das características do Simbolismo

Conteúdo relacionado com o espiritual, o místico e o subconsciente: idéia metafísica, crença em forças superiores e desconhecidas, predestinação, sorte, introspecção.

Essa maior ênfase pelo particular e individual do que pelo geral e Universal: valorização máxima do eu interior, individualismo.

Tentativa de afastamento da realidade e da sociedade contemporânea: valorização máxima do cosmos, do misticismo, negação à Terra.

Os textos comumente retratam seres efêmeros (fumaça, gases, neve...). Imagens grandiosas (oceanos, cosmos...) para expressar a idéia de liberdade.

Conhecimento intuitivo e não-lógico. Ênfase na imaginação e na fantasia. Desprezo à natureza: as concepções voltam-se ao místico e sobrenatural.

Pouco interesse pelo enredo e ação narrativa: pouquíssimos textos em prosa. Preferência por momentos incomuns: amanhecer ou entardecer, faixas de transição entre dia e noite.

Linguagem ornada, colorida, exótica, bem rebuscada e cheia de detalhes: as palavras são escolhidas pela sua sonoridade, num ritmo colorido, buscando a sugestão e não a narração.

Parnasianismo brasileiro

Na segunda metade do século XIX, o contexto sociopolítico europeu mudou profundamente. Lutas sociais, tentativas e revolução, novas idéias políticas, científicas... O mundo agitava-se e a literatura não podia mais, como no tempo do Romantismo, viver de idealizações, do culto do eu e da fuga à realidade. Era necessária uma arte mais objetiva, que atendesse ao desejo do momento: o de analisar, compreender, criticar e transformar a realidade. Como resposta a essa necessidade, nascem quase ao mesmo tempo três tendências anti-românticas na literatura, que se entrelaçam e se influenciam mutuamente: o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo.

Diferentemente do Realismo e do Naturalismo, que se voltavam para o exame da realidade, o Parnasianismo representou na poesia o retorno à orientação clássica, ao princípio do belo na arte, à busca do equilíbrio e da perfeição formal.

Os parnasianos acreditavam que o sentido maior da arte reside nela mesma, em sua perfeição, e não no mundo exterior.

Se examinarmos a seqüência histórica da arte e da literatura, veremos que elas se constroem a partir de ciclos. O homem está sempre rompendo com aquilo que considera ultrapassado e propondo algo novo Contudo, esse novo, muitas vezes, não passa de algo ainda mais velho, revestido de uma linguagem diferente.
Assim foi o Parnasianismo no Brasil, na década de 80 do século XIX. Depois da revolução romântica, que impôs novos parâmetros e valores artísticos, surgiu em nosso pais um grupo de poetas parnasianos que desejava restaurar a poesia clássica, desprezada pelos românticos.
Os parnasianos achavam que certos princípios românticos, como a busca de uma poesia mais acessível, da paisagem nacional, de uma língua brasileira, dos sentimentos, tudo isso teria feito perder as verdadeiras qualidades da poesia. Em seu lugar propõem, então, uma poesia objetiva, de elevado nível vocabular, racionalista, perfeita do ponto de vista formal e voltada a temas universais.


A “arte pela arte”

Apesar de contemporâneos, o Parnasianismo difere profundamente do Realismo e do Naturalismo. Enquanto esses movimentos se propunham a analisar e compreender a realidade social e humana, o Parnasianismo se distancia da realidade e se volta para si mesmo. Defendendo o princípio da “arte pela arte”, os parnasianos achavam que o objetivo maior da arte não é tratar dos problemas humanos e sociais, mas alcançar a “perfeição” em sua construção: rimas, métrica, imagens, vocabulário seleto, equilíbrio, controle das emoções, etc.

Observação: “Arte sobre a Arte”

Distanciados dos problemas sociais, alguns parnasianos dedicam-se a tematizar em seus poemas a própria arte. Por exemplo, descrevem com precisão obras de arte, como vasos, peças de escultura, lápides tumulares, bordados, etc. Nesse caso, trata-se de uma restrição ainda maior do princípio da “arte pela arte”, que se transforma em “arte sobre a arte”.

A influência clássica

A origem da palavra Parnasianismo associa-se ao Parnaso grego, segundo a lenda, um monte da Fócida, na Grécia central, consagrado a Apolo e às musas. A escolha do nome já comprova o interesse dos parnasianos pela tradição clássica. Acreditavam que, assim, estariam combatendo os exageros de emoção e fantasia do Romantismo e, ao mesmo tempo, garantindo o equilíbrio desejado, por se apoiarem nos modelos clássicos.
Contudo a presença de elementos clássicos na poesia parnasiana não ia além de algumas referências a personagens da mitologia e de um enorme esforço de equilíbrio formal. Pode-se afirmar que não passava de um verniz que revestiu artificialmente essa arte, como forma de garantir-lhe prestígio entre as camadas letradas do público consumidor brasileiro.

A “Batalha do Parnaso”

As idéias parnasianas já vinham sendo difundidas no Brasil desde os anos 70 do século XIX. Contudo foi no final dessa década que se travou no jornal Diário do Rio de Janeiro uma polêmica literária que reuniu, de um lado, os adeptos do Romantismo e, de outro, os adeptos do Realismo e do Parnasianismo. O saldo da polêmica, que ficou conhecida como Batalha do Parnaso, foi a ampla divulgação das idéias do Realismo e do Parnasianismo nos meios artísticos e intelectuais do país.
A primeira publicação considerada parnasiana propriamente dita é a obra Fanfarras (1882), de Teófilo Dias. Entretanto caberia a Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Vicente de Carvalho e Francisca Júlia o papel de implantar e solidificar o movimento entre nós, bem como definir melhor os contornos de seu projeto estético.

Observação: abolicionismo, república e vasos gregos

Vale lembrar que o Parnasianismo se firmou no Brasil na década de 80 do século XIX. Nesse momento se davam as lutas sociais decisivas pela abolição da escravatura e pela república. Apesar disso, o parnasiano Alberto de Oliveira afirmou: “Eu hoje dou a tudo de ombros, pouco me importam paz ou guerra e não leio jornais”. Distante dos problemas sociais, Alberto de Oliveira descreve então seu “Vaso grego”.

A linguagem da poesia parnasiana

A poesia parnasiana pretende ser universal. Por isso utiliza uma linguagem objetiva, que busca a contenção dos sentimentos e a perfeição formal. Seus temas são, igualmente, universais: a natureza, o tempo, o amor, objetos de arte e, principalmente, a própria poesia.

Observação: a máquina de fazer versos

O poeta modernista Oswald de Andrade, em seu Manifesto da Poesia Pau-Brasil, desfere várias críticas aos poetas parnasianos, dentre as quais a rigidez formal excessiva e a falta a liberdade no ato da criação poética. Diz ele, ironicamente: “Só não me inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano”.
Características do Parnasianismo
Formas poéticas tradicionais: com esquema métrico rígido, rima, soneto.
Purismo e preciosismo vocabular, com predomínios de termos eruditos, raros, visando à máxima precisão e de construções sintáticas refinadas. Escolhe as palavras no dicionário para escrever o poema com palavras difíceis.
Tendência descritivista, buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema e assim separando o sujeito criador do objeto criado.
Destaque ao erotismo e à sensualidade feminina.
Referências à mitologia greco-latina.
esteticismo, a depuração formal, o ideal da “arte pela arte”. O assunto não é importante, o que importa é o jeito de escrever.
A visão da obra como resultado do trabalho, do esforço do artista, que se coloca como um ourives que talha e lapida a jóia.
Transpiração no lugar da inspiração romântica. O escritor precisa trabalhar muito, suar a camisa, para fazer uma boa obra. Poeta é comparado ao ourives.

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