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Mário de Andrade: Reinventando o Brasil (1893/1945)

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“– Ai! que preguiça! ... que o herói suspirava enfarado. E dando as costas pra ela adormecia bem. Mas Ci queria brincar inda mais ... Convidava convidava... O herói ferrado no sono. Então a mãe do mato pegava na txara e cotucava o companheiro. Macunaíma se acordava dando grandes gargalhadas estorcegando de cócegas - Faz isso não, oferecida! - Faço! - Deixa a gente dormir, seu bem... - Vamos brincar. - Ai! que preguiça!...” Macunaíma (p.19) Mario Raul Morais de Andrade Filiação : Carlos Augusto de Morais Andrade e Maria Luísa Leite Morais Andrade Nascimento : 09/10/1893 – São Paulo. Morte - 25/02/1945 – São Paulo. Mario Raul Morais de Andrade nasceu em São Paulo em 09 de outubro de 1893. Iniciou seus estudos de piano em 1911. Apreciador de música, formou-se no Conservatório Dramático e Musical, onde tornou-se professor de História da Música. No ano de 1917, publicou seu primeiro livro de poema Há uma gota de sangue em cada poema, no qual criticava o derramamento d...

O Primo Basílio - Eça de Queiroz

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1. A Evolução do Artista P ara melhor análise das obras de Eça de Queiróz podemos dividi-la em três partes, que acompanham a evolução temática-estilística do escritor. Quanto à primeira fase, sua obra de mocidade, coligida sob o título de Prosas Bárbaras , apresenta influência romântica. A segunda fase, em 1875, é destacada pela publicação de O Crime do Padre Amaro , abre-se nova fase do escritor, combativa, de ataques às instituições. Com outros dois romances – O Primo Basílio e Os Maias – compõem a tríade dos romances de orientação realista-naturalista. Configura-se aí o crítico impiedoso da sociedade portuguesa. Eça tem a intenção de realizar um vasto inquérito analítico da sociedade de seu tempo. Em 1878, em O Primo Basílio , obra em que passa analisar a construção moral da família pequeno-burguesa urbana, tendo como motivo o adultério que, segundo o autor, é fruto da má-formação que a mulher recebe, moldada em dois pólos básicos: a ociosa e o rom...

Leitura: Menina de Lá - João Guimarães Rosa

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Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes. Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – "Ninguém entende muita coisa que ela fala..." – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - " Ele xurugou?" – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - " Tatu não vê a lua... " – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da a...

Cultura: algo a se pensar e pesar

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Desde que mundo é mundo há esta questão do etnocentrismo, seguido pelo preconceito e racismo. Tais elementos, ainda, permanecem firmes e fortes na sociedade mundial. Não houve mudanças quanto a este aspecto, pois já havia na Grécia, Roma, na Inglaterra, entre outros países que não foram citados. Focaremos os EUA, que desde sua colonização, até os dias atuais, mantém intacto tal postura de superioridade entre os demais povos – países. Como é citado no livro de Roque dos Santos Laraia, por título Cultura, um conceito antropológico, página 13: Na Antiguidade já era comum tal tentativa de explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das variações dos ambientes físicos. Ele cita ainda que alguns povos acreditavam que, por razões climáticas, pudesse haver “um povo que fosse superior” e “outro inferior”, que ao me ver não há firmeza em tal afirmação. Não existe tal ideia de superioridade e inferioridade cultural, pois entendemos por cultura tudo aquil...

Mulheres: Segundo a visão Machadiana

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O ser “Mulher”: Aspectos históricos Refletir sobre o gênero é depositar o olhar sobre o mundo, considerando com propriedade o caráter biológico, o cultural, o histórico, o social, o ideológico, o religioso. Nesse sentido, o gênero apresenta-nos uma função analítica que traz à luz conflitos entre homens e mulheres e define formas de representar a realidade social e de intervir nela. Tendo em vista essa função analítica a que o gênero se propõe, a humanidade tem presenciado, ao longo da História, transformações que têm levado a sociedade humana a um estado de inquietação, e, por que não dizer, de perplexidade. O que temos vivenciado, no plano das mutações sociais, não se restringe apenas a uma evolução ou até mesmo a uma revolução dos costumes. Essas mudanças de paradigmas na sociedade humana não somente questionam nossos comportamentos como também nossos valores. Elas nos inquietam no que tange ao mais íntimo de nosso ser: a nossa identidade, a nossa natureza de homem e de mulher...