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Leitura: Menina de Lá - João Guimarães Rosa

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Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes. Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – "Ninguém entende muita coisa que ela fala..." – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - " Ele xurugou?" – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - " Tatu não vê a lua... " – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da a...

Cultura: algo a se pensar e pesar

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Desde que mundo é mundo há esta questão do etnocentrismo, seguido pelo preconceito e racismo. Tais elementos, ainda, permanecem firmes e fortes na sociedade mundial. Não houve mudanças quanto a este aspecto, pois já havia na Grécia, Roma, na Inglaterra, entre outros países que não foram citados. Focaremos os EUA, que desde sua colonização, até os dias atuais, mantém intacto tal postura de superioridade entre os demais povos – países. Como é citado no livro de Roque dos Santos Laraia, por título Cultura, um conceito antropológico, página 13: Na Antiguidade já era comum tal tentativa de explicar as diferenças de comportamento entre os homens, a partir das variações dos ambientes físicos. Ele cita ainda que alguns povos acreditavam que, por razões climáticas, pudesse haver “um povo que fosse superior” e “outro inferior”, que ao me ver não há firmeza em tal afirmação. Não existe tal ideia de superioridade e inferioridade cultural, pois entendemos por cultura tudo aquil...

Mulheres: Segundo a visão Machadiana

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O ser “Mulher”: Aspectos históricos Refletir sobre o gênero é depositar o olhar sobre o mundo, considerando com propriedade o caráter biológico, o cultural, o histórico, o social, o ideológico, o religioso. Nesse sentido, o gênero apresenta-nos uma função analítica que traz à luz conflitos entre homens e mulheres e define formas de representar a realidade social e de intervir nela. Tendo em vista essa função analítica a que o gênero se propõe, a humanidade tem presenciado, ao longo da História, transformações que têm levado a sociedade humana a um estado de inquietação, e, por que não dizer, de perplexidade. O que temos vivenciado, no plano das mutações sociais, não se restringe apenas a uma evolução ou até mesmo a uma revolução dos costumes. Essas mudanças de paradigmas na sociedade humana não somente questionam nossos comportamentos como também nossos valores. Elas nos inquietam no que tange ao mais íntimo de nosso ser: a nossa identidade, a nossa natureza de homem e de mulher...