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O Realismo Brasileiro

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O que estava acontecendo no Brasil? No Brasil do  Segundo reinado  (de  1840  a  1889 ), impera o conhecido  “ parlamentarismo  às avessas”, quando o Imperador  D. Pedro II  escolhe o  senador  ou o  deputado  para o cargo de primeiro-ministro , com a complacência do  Partido Liberal  e do  Partido Conservador , que se revezavam no poder, sempre segundo os interesses da  oligarquia   agrária . No campo da  economia , o Brasil, na metade do  século XIX , ainda mantinha uma estrutura baseada no  latifúndio , na  monocultura de exportação  com  mão-de-obra   escrava  voltada para o mercado  cafeeiro . Por volta da  década de 1870 , no entanto, as oligarquias agrárias, que até então “davam as cartas” na economia e na política do país, sofrem pressões internacionais para o desenvolvimento do  capitalismo   industrial  no Bra...

Leitura: Mario de Andrade

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A ELEGIA DE ABRIL (1941) Poucas vezes me vi tão indeciso como neste momento, em que uma revista de moços me pede iniciar nela a colaboração dos veteranos. Seria mais hábil lhe ceder um desses estudos especializados, que salvasse em sua máscara os meus louros possíveis de escritor. Mas ainda conservo das minhas aventuras literárias, aquela audácia de poder errar, com que aceitei de um dos moços que me convidaram a este artigo a sugestão de falar sobre a inteligência nova do meu país. E confessarei desde logo que não a sinto muito superior à de minha geração. Nós ainda tínhamos muito presentes, e praticadas mesmo em nossos anos de rapazes, as tradições da cabeleira. Ainda ouvíramos, e usáramos um bocado, a boêmia dos cafés e a cor nevosa do absinto. Mas de um acorde de Debussy, de uma opinião de Wilde ou de Gide, da corte de Guilherme II, para um ritmo batido de Strawinski, um assunto de Rivera e os companheiros de Hitler, vai tal antagonismo, que as melhoras da inteligência br...

O modernismo: um clima estético e psicológico

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O  Modernismo surgiu no século XX e foi tido, então, como um código novo, bem diferente aos códigos parnasiano e simbolista. “Moderno” é um vocábulo ambíguo, para não dizer polissêmico. Designa o contemporâneo de quem fala ou escreve. Mas, nem tudo o que antecipou o Modernismo (Lobato, Lima Barreto) seja considerado Modernista. E o que fora considerado Modernista (Guilherme, Menotti e Oswald e outros) não parecerá, hoje, Moderno. Podemos dizer que se por Modernismo entende-se exclusivamente uma ruptura com os códigos literários do primeiro vintênio, então, podemos concluir que não houve escritor pré-Modernista (segundo Alfredo Bosi). Assim, Euclides, João Ribeiro, Lima Barreto e Graça Aranha (este independentemente de sua participação ou na semana de 22 – embora este seja o único intelectual da velha guarda empenhado na teorização à vida moderna) não são escritores pré-Modernistas. Este momento foi o qual aconteceram várias mudanças na literatura, não s...

Mulher X Homem: em Machado de Assis

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Através das leituras e dos estudos realizados durante todo esse percurso investigativo (sobre as personagens femininas e masculinas), constatou-se que não é sem razão que o romancista Machado de Assis seja considerado, por muitos, um dos maiores escritores da literatura. Também não é sem razão que ele, como criador de histórias aparentemente insípidas ou banais, mas extremamente complexas, seja lido com maior agudeza e acuidade por seus leitores cada vez mais atentos e críticos. Machado adquire o estatuto de escritor ímpar da literatura brasileira, e, por causa disso, é tido como um homem de caráter “moderno” e escritor inovador para a época em que viveu. A principal questão que moveu este trabalho foi à maneira como Machado de Assis traça o perfil de suas personagens, especialmente, as femininas. Seria por, demais simplório, afirmar que as figuras femininas construídas por esse escritor, apesar de, muitas vezes, apresentarem-se ingênuas, sensíveis, ou em situação de abandono,...

Algumas Obras Machadianas: Resumo

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1. Resumo das Obras As obras machadianas são: Ressurreição (1872), A Mão e a Luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908); o conto: Contos Fluminenses (1970), Histórias da Meia-Noite (1873), Papéis Avulsos (1882), Várias História (1896), Páginas Recolhidas (1899), Relíquias de Casa Velha (1906), etc.; o teatro: Queda que as Mulheres têm pelos Tolos (1861), Desencantos (1861), Teatro (1863), Os Deus de Casaca (1866), Tu, só Tu, Puro Amor (1881); a crônica: A Semana (1914), etc.; a crítica: Crítica (1910). 1.1. Memória Póstuma de Brás Cubas Escrita após sua morte por um narrador – personagem, Brás Cubas, esta memórias póstumas. Constituem um grandioso romance, de leitura difícil mais profundamente enriquecedora. O fato de Brás Cubas colocar-se como um “defunto autor”`, isto é, como algué...